Você já conhece a biografia de Dilma?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pesquisa mostra Dilma na frente de Serra no Rio de Janeiro

O jornal O Dia publicou neste domingo (28) uma pesquisa do Instituto Vox Populi sobre intenção de votos para presidente, realizada entre os dias 20 e 22 de março no estado do Rio de Janeiro. A ministra Dilma Rousseff aparece na frente com 29% da preferência do eleitorado, enquanto o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tem 28%.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), com o nº 18.994/2010. O Vox Populi fez 1.000 entrevistas na capital, na Região Metropolitana e no interior do Estado do Rio. No cruzamento por região, Dilma Rousseff apresentou seu melhor desempenho na capital do estado, com 33% das intenções de voto, contra 20% de Serra. Já o tucano teve a seu melhor desempenho no interior, com 40% das intenções. Nesta região, Dilma somou apenas 24% das intenções.

O jornal diz ainda que para o presidente do Vox Populi, João Francisco Meira, a pesquisa revela uma tendência nacional, que demonstra o crescimento de Dilma. “A boa performance da petista na capital revela o grau de informação do público. À medida que Dilma associa sua imagem à imagem do presidente Lula, ela ganha respaldo e aceitação. No interior, essa informação chega de forma mais lenta ao eleitor”, acredita o presidente do Instituto Vox Populi.

Em outro cenário, sem a participação de Ciro Gomes, que ainda não teve a candidatura confirmada — mas é aliado de Lula, Serra (34%) e Dilma (31%) também aparecem tecnicamente empatados. Com Ciro fora, Serra chega a 48% no interior, seu melhor desempenho no Estado do Rio. No mesmo cenário, Dilma tem seu melhor resultado na capital, com 37% das intenções de voto. “Não está claro ainda para o eleitor que Ciro é aliado de Lula”, diz.

Lula tem 90% de aprovação

De acordo com Meira, a aprovação de Lula no Rio chega a 90%. Para 29% dos entrevistados, o governo é ótimo; 43% acham bom; 18%, regular positivo; 5%, regular negativo; 3%, ruim; e só 2% acham péssimo. A pesquisa também mostra que 86% dos entrevistados sabiam que o presidente não pode concorrer nas eleições de outubro. Mas se pudesse, 61% o escolheriam outra vez.

Com informações do jornal O Dia

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Uma ótima notícia

Veio com a pesquisa Datafolha que dá a petista Marta Suplicy disparada em 1º lugar para o Senado. Nada menos que 43% do eleitorado de São Paulo tem a ex-prefeita da capital como sua primeira opção de voto (na eleição desse ano vota-se em dois candidatos para o Senado que se renovará em 2/3).

Temos assim, confirmada, mais uma prova da decisão acertada do PT paulista de compor a chapa Marta Suplicy senadora - Aloízio Mercadante governador e de buscar unir em São Paulo a base dos partidos que integram o governo Lula.

Marta-Mercadante é sinônimo de vitória, é chapa para ir não apenas ao 2º turno, mas para decidir as eleições, vencê-las e dar uma votação extraordinária à nossa candidata a presidenta, Dilma Rousseff.

Discurso da ministra Dilma Rousseff - 31/03

Eu vou começar saudando o nosso presidente. Como é do protocolo, mas também devido à importância dessa solenidade. Cumprimentar o Michel Temer, presidente da Câmara, os ministros que estão tomando posse. Tenho certeza que todos vão cumprir a missão que têm pela frente tão ou melhor do que nós fizemos.

Começo saudando a minha querida Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, o ministro Paulo Sérgio, dos Transportes, o Gabas, querido Gabas da Previdência Social, Vagner Rossi, da Agricultura, o Marcio Zimmermann, de Minas e Energia, o José Artur Filardis, das Comunicações, a Isabela, do Meio Ambiente, o João Santana, da Integração, a nossa querida Márcia, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e queria saudar os ministros que ficam. Ao saudá-los, saúdo o Guido Mantega, o Fernando Haddad, o Jobim, o Padilha, o Miguel Jorge, Paulo Bernardo, nosso querido Sérgio Rezende, o Barretinho e meu querido Orlando Silva, além do ministro da Justiça, nosso querido Luiz Paulo. Saúdo todos os ministros. Creio ter saudado a todos, pelo menos aqui à primeira vista.

Queria dizer para vocês que fiz um imenso esforço para falar de improviso, mas se eu falar de improviso, presidente, vai acontecer uma coisa, ou duas: uma parte eu vou esquecer. Na outra parte eu vou chorar muito. Então, vou seguir um roteiro, pode ser que continue esquecendo e chorando, mas pelo menos tenho um roteiro em que vou me segurar.

É sem dúvida, presidente, um momento de grande emoção. Acho que para todos os meus colegas aqui que estão saindo e que deixam hoje o ministério do senhor. Mais do que colegas, hoje nós podemos dizer que somos companheiros de uma jornada, de uma missão, de um trabalho que fizemos em equipe. Vivemos uma emoção que alguns poetas disseram que era uma emoção especial, uma espécie de alegria melancólica ou uma alegria triste.

Alegria porque saímos de um governo que consideramos um dos governos que mais fez pelo povo deste país. E tristeza porque abandonamos hoje esse que foi um dos trabalhos, para muitos aqui, há sete anos e meio, e para outros mais de três, mais de quatro anos. De qualquer jeito, tristes porque estamos de partida. Mas se o nosso coração, presidente, sente essa estranha alegria triste, o senhor pode ter certeza que a alma da gente está cheia de otimismo, esperança e de fé. O senhor deu a cada um de nós o privilégio de participar de um dos momentos mais decisivos da história do nosso país. O momento em que o povo se reencontrou consigo mesmo, sob a liderança de um dos líderes mais populares, e talvez o mais brasileiro de todos os líderes desse país.

Ao seu lado, presidente, nós participamos de um processo que nos últimos sete anos e meio fez a mudança mais profunda, a mudança mais importante que as gerações brasileiras que convivem com o nosso tempo histórico experimentaram. Ao seu lado, presidente, a minha geração e a geração dos que me seguem, ou que me sucedem, melhor dizendo, conseguiram realizar seus sonhos. Sonhos que começam na luta de resistência à ditadura, que passam pela redemocratização, por todas as lutas e as dos movimentos sociais por direitos, dignidade, soberania, justiça e liberdade nesse país.

O governo do senhor é um momento muito importante porque é o ápice, um momento de vitória, talvez o mais longo momento de vitória que todos esses que lutaram experimentaram ao longo de suas vidas. Sim, presidente, com o senhor nós vencemos. E vamos vencendo a cada dia. Vencemos a miséria, a pobreza, ou parte da miséria e da grande pobreza desse país. Vencemos a submissão, vencemos a estagnação, vencemos o pessimismo, vencemos o conformismo e vencemos a indignidade. Talvez nós tenhamos vencido, inclusive, esse pesado resquício da escravidão que este país carrega, ou que carregou tão forte. E aí está o ministro da Integração Racial, e ele sabe do que eu estou falando, porque nesse processo nós continuamos vencendo mais de 400 anos de peso e de exclusão que pesa e que oprime o nosso país. Vencendo, sim, porque o Brasil aprendeu que a melhor forma de crescer é distribuir. Que a melhor forma de desenvolver é fazer com que todos participem dos frutos do desenvolvimento.

O senhor trouxe o desenvolvimento com inclusão, fez do social e do econômico duas faces da mesma moeda. Vencemos porque o seu governo mostrou que um país só pode ser soberano se o seu povo tiver condições de sonhar, condições de realizar seus sonhos, e condições de viver com dignidade a sua vida. E que esse povo possa expressar sem medo, sem peias, todas as suas opiniões e seus ideais. Nós convivemos com a diferença, presidente. Vencemos porque seu governo mostrou que o verdadeiro desenvolvimento é filho da democracia e irmão da liberdade, num país que viveu por muito tempo sob regime de exceção.

Vencemos, presidente, e nesse processo aprendemos muita coisa com o senhor, com esse encontro que o senhor, o mais autêntico dos líderes populares desse país, propiciou que nós tivéssemos com o povo brasileiro. E o povo brasileiro, ele sempre nos ensina a ser forte, mas no governo nós aprendemos também a ser persistentes. Com a alegria do nosso povo, nós aprendemos muito. Com o senhor, nós aprendemos que temos que ser otimistas. Nós aprendemos também com o nosso povo que temos que ter resistência, e com o senhor nós aprendemos que temos que ser corajosos.

Por tudo isso podemos dizer que, em apenas sete anos e meio, o nosso governo mudou o Brasil. Quando a gente olha e lembra do que se pensava em nosso país em 2002, nós nos damos conta do longo caminho percorrido. Nós temos orgulho de ter tirado quase 30 milhões [de pessoas] de uma situação de pobreza para as classes médias; de tirarmos mais de 20 milhões da pobreza; de termos empregado com carteira assinada quase 12 milhões de brasileiros. Nos lembramos dos projetos sociais do nosso governo, do Bolsa Família, do ProUni, do Luz para Todos, do Mais Alimentos, da agricultura familiar, do PAC Habitação, da urbanização de favelas, do pré-sal. Cada um desses programas traz em si uma certeza, a de que a vida de milhões de brasileiros está mudando.

Nós sabemos que aqueles que lamentam, os viúvos do Brasil que crescia pouco, da estagnação, fingem ignorar que essa mudança é uma mudança substancial. Têm medo. Eles não sabem o que oferecer a um povo que hoje é orgulhoso e tem certeza que sua vida mudou, não aceita mais migalhas, parcelas ou projetos inacabados. No nosso governo, o povo não é coadjuvante, ele é o centro das nossas atenções e é o protagonista de sua própria história.

Esses programas inovadores que nós criamos, como as Upas, o Brasil Sorridente, as Farmácias Populares, elas surgem dessa convicção de que um país só pode ser grande se for grande também o seu povo. O Fundeb, que multiplicou o fundo da educação básica por mais de dez, em termos de recursos, é um orgulho que nós temos também porque o próximo período vai ser o período das oportunidades.

Também, presidente, nós que amamos o nosso planeta, que temos consciência da importância do Brasil na questão da mudança do clima, estamos orgulhosos por termos reduzido a emissão de gases de efeito estufa no Brasil nos últimos períodos. Aliás, na Amazônia, o desmatamento foi reduzido como nunca depois que se começou a fazer a medição nos últimos 22 anos. A presença do Brasil em Copenhague nos orgulha a todos. Mas presidente, nós aprendemos uma coisa com o senhor que, por trás de cada obra, edifício, de cada projeto de infraestrutura, de cada uma das nossas ações, estavam pessoas, suas vidas privadas e seus dramas.

Recentemente, eu lembro do menino de lábio leporino que estava nas costas do seu tio, lá no Rio de Janeiro, e que está sendo agora operado no SUS. E que mostra à humanidade a importância dos centros de tratamento de fissura no palato que está sendo implantado no Brasil, como é o caso daquele implantado na Ubra, em Porto Alegre. A dona Eliane que procurou a gente na integração do São Francisco e contou para o senhor que vinha da roça e começou a vender quentinhas para os trabalhadores do trecho em Floresta, em Pernambuco. Ela disse para o senhor que agora tinha aberto um restaurante e, com muito orgulho, pagava R$ 5 mil de Imposto de Renda. Por trás de cada obra tem uma história desse tipo.

Como a mãe que confessou para o senhor, no Luz para todos, que ela nunca tinha visto seu filho dormir de noite. Nunca tinha podido ver seu filho dormindo, por isso apagava e acendia a luz para enxergar o filho que dormia e para provar que a vida dela estava mudando. A surpresa imensa daquele senhor alto, um pouco mais velho, negro de cabelos brancos que lá em Minas Gerais atendeu à porta que alguém batia, e a surpresa dele ao ver o presidente da República, um homem alto e careca, parecendo o Kojak, e eu. Ele olhou para o presidente que perguntava para ele se podia entrar, conversar e olhar se a obra estava de acordo com o que o presidente acha que tem que ser a dignidade de uma casa popular. A imensa surpresa dele ao olhar o presidente da República vendo seu banheiro e sua cozinha. Ao olhar se era necessário ter muro na casa e ao dizer sistematicamente, baixo para mim, no meu ouvido: “eu não fui eleito para fazer moquifo para o povo brasileiro. Eu fui eleito para dar dignidade”.

Presidente, eu assisti também ao Cristiano, o senhor lembra do Cristiano? Aquele menino que, vimos nos jornais, nadava na enxurrada. E que o senhor... A gente tinha ido lançar e dar a ordem de serviço para uma parte da recuperação de Manguinhos. Lá o senhor pediu para procurarem o menino. E o Cristiano apareceu magrinho, dizendo que gostava muito de piscina, mas nunca tinha nadado numa. E um ano depois, presidente, nós vimos o Cristiano quase um atleta, nadando no parque esportivo e na piscina do parque que nós construímos ali em Manguinhos.

O Cláudio que nós vimos recentemente, já há uma semana, na Vila Vicentino, na inauguração da casa que nós fizemos. Ele dizia que mais do que obra de cimento e tijolo, aquela obra tinha dado a ele e a sua comunidade dignidade. Sem sombra de dúvida, o presidente nos ensinou a olhar para os mais marginalizados.

Se o presidente convive com líderes mundiais, discute problemas complexos da crise econômica, a questão relativa à crise financeira do mundo, os problemas dessa crise mundial; se discute toda a questão de infraestrutura do nosso país, o problema do desenvolvimento produtivo, ele nunca abandonou esses desvalidos, os catadores de papel. Os hansenianos, os portadores de deficiências... A importância que o senhor deu aos cegos e aos seus cães-guias, não só em termos de recebê-los aqui no Palácio - aliás, ali em frente ao Palácio - mas também todas as ações de afirmação, cidadania e dignidade que o governo sempre reconheceu a eles. Por isso, presidente, eu repito: o povo brasileiro nos ensinou a acreditar no futuro. Mas, com o senhor, nós, juntos, aprendemos a construí-lo.

Por isso, presidente, deixamos o governo - e tenho certeza que falo em nome de cada um dos ministros que estão aqui hoje que saem do governo - renovando nossos compromissos com as bandeiras que abraçamos. E com o juramento que fizemos de cada vez mais lutar e melhorar a vida do nosso povo. Essa tarefa, presidente, ficou mais fácil depois dos caminhos abertos pelo governo, traçados sob a sua liderança.

Nós nos despedimos, mas não somos aqueles que estão dizendo adeus, somos aqueles que estamos dizendo até breve. Nós não vamos nos dispersar. Nós, cada um dos ministros aqui presentes, temos um legado a defender, onde quer que estejamos, exercendo a militância que tivermos que exercer. Sob a sua inspiração, presidente, quem fez tanto está pronto para fazer muito mais e melhor. Estamos simplesmente dizendo até breve. Hoje sabemos que o Brasil é um país pronto para dar um novo passo de prosperidade, de desenvolvimento econômico e social, trilhando rotas já abertas, explorando novas riquezas, como o pré-sal. Sempre buscando gerar milhões de novos empregos.

No seu governo criamos uma base sólida. Com ela, nós podemos erradicar a miséria e nos tornar a 5ª economia do mundo dentro de alguns anos. É mais do que a minha geração podia sonhar. Não que a minha geração não sonhasse alto, mas é mais do que ela podia sonhar olhando para as possibilidades reais sob as quais nós vivemos.

Mais uma vez eu repito, presidente, o senhor nos deu, pela primeira vez, aquele gosto de vitória, não da vitória fácil, mas da vitória que se tem só depois de muito suor, muito esforço e muita dificuldade. É a crença também no diálogo que nós aprendemos. O senhor sempre dialoga. É a crença no acordo. É a crença na democracia.

Como o senhor sempre disse, e sempre eu gostei muito dessa síntese que o senhor faz, a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes. É por tudo isso que nós podemos dizer em alto e bom som: nós nos orgulhamos de ter participado do seu governo. Eu falo por todos os ministros, os que saem e os que estão entrando e os que estão ficando.

Não importa agora perguntar porque alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Eles devem ter seus motivos. Mas nós podemos sempre saber que temos patrimônio, nós fizemos parte da era Lula. Vamos carregar essa história e contá-la para os nossos netos. Vamos carregar essa história e nos orgulhar disso em nossa biografia.

Querido presidente, o senhor também é uma pessoa alegre, afetiva, com senso de humor, que mostra que acima de tudo a gente pode enfrentar os revezes, as dificuldades. Na hora que a coisa endurece, como dizem os jovens, o bicho pega. Mas, nós temos que ter coragem e alegria de enfrentar a vida, a política e achar sempre as soluções. Eu tive o privilégio de conviver com o senhor, de privar dos momentos duros e dos momentos de vitórias e conquistas. Ser honrada por sua confiança. E quero dizer que eu como os outros ministros saímos maiores e melhores do que entramos.

Nós participamos da mudança do Brasil, mas nós também mudamos e é por isso que afirmo: cada um de nós sai uma pessoa melhor do que entrou. Isso, presidente, em qualquer experiência de vida é inestimável. É por isso que eu disse que a gente tem uma tristeza alegre, ou uma alegria triste, porque saímos felizes e revigorados. Pessoas melhores são necessariamente pessoas felizes. O Brasil para nós deixou de ser aquele país em que o futuro nunca chegava. É o futuro que chegou e nós chegamos junto. Isso não tem preço, presidente. É isso que sempre vai fazer de nós orgulhosos dessa experiência. Vai fazer de cada um de nós aqueles que sabem, também, que agora trata-se de ampliar esse futuro que chegou no presente.

Para finalizar, presidente, eu gostaria de agradecer também a todos aqueles que nos ajudaram a realizar essa travessia e que eu vejo aqui presentes. A base aliada, os movimentos sociais, os empresários, os trabalhadores que acreditaram que era possível construir o novo Brasil. Em meu nome e em nome de todos os ministros que participaram e participam desse processo, só tenho a dizer: obrigado, presidente Lula, pela oportunidade de nos fazer parceiros do maior projeto de transformação econômica e social que esse país viu nas últimas décadas. Obrigado também por permitir esse encontro com o povo brasileiro, que fez o Brasil mais próximo do seu povo. Por provar aquilo que sempre acreditamos, que o nosso povo é um povo extraordinário que só precisava de apoio, oportunidade e atenção para mostrar do que é capaz, para mostrar a sua capacidade, a sua inventividade, a sua criatividade, o seu empreendedorismo. Este é o principal sentimento que nós levamos conosco, o de ter lutado ao lado de um grande líder, em favor de um grande povo. Obrigado, presidente.

Eu queria dizer para o senhor que nós hoje estamos num dia muito especial para cada um de nós. Talvez, ao longo das nossas vidas, um momento decisivo. E tenho certeza que hoje nós aqui presentes, nossas famílias, nossos filhos, os netos e os amigos estão orgulhosos do que fizemos. Por isso, eu cumprimento aqueles ministros que entram. Desejo a eles toda a sorte do mundo, porque é preciso ter sorte, o senhor sempre diz. Ninguém vai querer ministro pé-frio também. Mas eu tenho certeza que espera vocês também, trabalho em dobro, como disse o presidente no dia do lançamento do PAC 2.

Eu agradeço a todos vocês, agradeço aos nossos companheiros ministros com quem nós convivemos. Em nome de cada um agradeço os representantes das equipes dos ministros, os representantes das empresas estatais, como a Petrobras. Agradeço a todos por esse trabalho de equipe que é a marca do governo do presidente Lula.

Obrigada.
Dilma Rousseff

quarta-feira, 31 de março de 2010

Há 46 anos, a ditadura. E a festa da Direita

Dia 31 de Março de 1964, no centro antigo de São Paulo, num escritório da Praça da República, assistiamos perplexos e indignados às manifestações de júbilo e apoio aos golpistas vitoriosos depois de duas tentativas de implantar a ditadura no Brasil, em 1954 e 1961.

Mais uma vez eram os mesmos de sempre com a UDN à frente - essa mesmo que vocês se lembram, virou ARENA, PDS, PPB, PFL e agora se chama DEM. Vai mudando de nome tentando enganar e achando que o povo esquece.

Derrubavam um presidente constitucional, João Goulart - o Jango - eleito democraticamente para instalar no país uma ditadura militar que durou 21 anos se tomarmos a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral como marco do seu fim, ou 24 anos se tomarmos como data a Assembléia Nacional Constituinte de 1988.

Os nefastos 21 anos que se iniciavam naquela noite

Naquele momento e com o desfile daquelas imagens da alta classe média paulistana e dos considerados na época "filhinhos de papai" do Colégio/Universidade Mackenzie apoiando entusiasticamente o golpe, iniciava-se a onda de repressão e violência que se abateria sobre o país e contra os democratas, os que defendiam a Constituição e a Liberdade.

Aquela cena e aquele dia mudaram para sempre a minha vida. Naquele momento tomei a decisão de me opor com todas as minhas forças e energias ao golpe militar, decisão que persegui durante vinte anos até a reconquista da democracia.

Mal sabia eu que minha vida estava sendo decidida naquela manhã de março, no simpático mês das águas e do meu aniversário, no momento em que assomei a janela para ver a cena dos estudantes de direita do Mackenzie descerem a Avenida Ipiranga rumo a Praça da República!

Mal tinha idéia eu de que naquele dia e com as cenas que presenciava, se iniciava a mais longa e teneborosa noite que desabaria sobre o país, a nefasta ditadura sonhada e instaurada pela direita que sufocaria tantos e tantos democratas, atingiria em maior ou menor grau - e ainda que indiretamente - a todos os brasileiros, e se tornaria o período político e social mais nocivo vivido pelo país.

Serra inaugura obra polêmica e é vaiado por trabalhadores


erca de 200 servidores estaduais, entre professores, agentes penitenciários e profissionais da saúde, vaiaram nesta terça-feira (30) o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), em Presidente Prudente, no interior paulista, onde o tucano inaugurou obras. Com nariz de palhaço e faixas que foram proibidas de ser abertas pela Polícia Militar, os manifestantes se reuniram na frente do prédio do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), inaugurado pelo governador.



Os trabalhadores chamaram Serra de "ditador" e "mentiroso". "Nos proibiram de entrar no prédio e de colocar as faixas, bolsas de mulheres foram revistadas e um professor foi tirado à força por um PM", reclamou Alberto Brushi, diretor regional do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp).

Professores da rede estadual e PMs entraram em confronto no Morumbi na semana passada, quando tentaram furar o bloqueio e chegar ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Quando os professores tentaram furar o bloqueio, foram recebidos com golpes de cassetetes, balas de borracha e bombas de efeito moral.

O sindicalista Rozalvo José da Silva, secretário-geral do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), também reclamou do tratamento dado aos manifestantes. A exemplo dos professores, em greve há 19 dias, os agentes penitenciários decidiram entrar em greve a partir do próximo dia 30. Ele afirmou que os 22 mil agentes, que cuidam de 180 mil presos no Estado, exigem reajuste salarial de 26,34%.

Obra inacaba

Em sua maratona para inaugurar o máximo de obras antes de deixar o governo, Serra apelou novamente para um expediente já tradicional de sua agenda: inaugurar obras que não foram concluídas.

Encaixa-se nesta categoria o trecho sul do Rodoanel, "inaugurado" hoje, com dois anos de atraso, pelo governador tucano. Mesmo com tanto atraso, um pequeno trecho será aberto aos motoristas somente na quinta-feira.

O Trecho Sul do Rodoanel irá ligar as rodovias Anchieta e Imigrantes às rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Castello Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt, que já estavam interligadas pelo Trecho Oeste desde outubro de 2002. A rodovia passa pelos municípios de Mauá, Ribeirão Pires, Santo André, São Bernardo, São Paulo, Itapecerica da Serra e Embu das Artes.

O primeiro dos cinco lotes, de Mauá à Via Anchieta, em São Bernardo, ainda não será entregue, em virtude das obras nos 4,4 quilômetros que ligam o Rodoanel à Avenida Papa João XXIII, em Mauá (a previsão é de que o trecho seja concluído em meados de maio).

Pedágio e polêmicas
Segundo estudo encomendado pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) ao Lincoln Institute of Land Policy, a obra reduzirá temporariamente o trânsito na marginal Pinheiros e na avenida dos Bandeirantes, mas terá efeito insignificante nos congestionamentos da Grande São Paulo.

Assim como o trecho oeste, onde há cobrança de pedágio (R$ 1,20) desde dezembro de 2008, o trecho sul será pedagiado, com valores até R$ 6. No entanto, não há prazo definido para o início da cobrança, já que a concessionária ainda não foi escolhida.

A construção do trecho sul foi projetada e administrada pela estatal Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), mas a execução da obra, iniciada em maio de 2007, ficou a cargo de cinco consórcios, cada um responsável por um lote do trecho. Integram os consórcios algumas das principais construtoras do país: Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Odebrecht, CR Almeida, Serveng Civilsang, Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior e Carioca.

Em dezembro de 2009, o Ministério Público Federal em SP encaminhou representações pedindo a abertura de inquérito contra a Camargo Corrêa por fraudes em licitações e superfaturamento em 14 obras espalhadas pelo país, entre elas a do Rodoanel. O dinheiro desviado teria sido utilizado no financiamento de campanhas eleitorais de vários políticos.

Em setembro de 2009, um laudo feito por um supervisor ambiental das obras afirmou que os impactos ambientais superaram as previsões do governo. Ele citou uma região com 15 córregos, fora da área de concessão do Rodoanel, que desapareceram por conta do assoreamento, e apontou deficiências no projeto de drenagem que provocaram alagamentos ao redor da obra, afogamento de árvores e assoreamento em parte da Billings. Na época, a Dersa argumentou que os problemas ambientais não eram significativos e que eles foram agravados pelas chuvas.

Já em 13 de novembro do ano passado, um novo empecilho: três vigas de 85 toneadas e 40 metros despencaram de uma altura de 20 metros no viaduto do Rodoanel sobre a rodovia Régis Bittencourt, atingindo três veículos e ferindo três pessoas. Segundo relatório emitido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o consórcio formado pelas empreiteiras OAS, Mendes Júnior e Carioca usou vigas pré-moldadas não previstas para os novos viadutos do trecho sul com o objetivo de baratear custos.

O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), órgão ligado ao governo estadual, avaliou que a queda da viga foi resultado de três fatores: falta de horizontalidade das superfícies das bases de apoio; insuficiência de atrito na interface das vigas com as bases de apoio e falta de travamento adequado das vigas.

Especialistas entrevistados pelo UOL Noticias na época afirmaram que a pressa para entregar as obras em um prazo favorável do ponto de vista eleitoral está por trás dos acidentes em grandes obras, entre elas a do Rodoanel.

Durante o evento de inauguração, a Polícia Militar fez um cordão de isolamento para separar as autoridades. Um grupo de manifestantes foi impedido de chegar ao local da vistoria e foi parado pela PM ainda na Via Anchieta.

Da redação,
com agências, Portal Vermelho